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Azedô o pé do frango
 


A ordem das coisas

O mundo era tão pequeno. Não vazio, apenas pequeno.

Depois de me olhar, disse que havia algo mais.

Algo que gostaria de saber o que é, de sentir... talvez pegar.

 

Tudo era tão simples. Não ruim, apenas simples.

Depois de me olhar, disse que sentia muito mais.

Que tudo era tão elegantemente incerto... até apavorante.

 

 

Me disse que queria voar pelo mar, através do horizonte.

Me disse que não sabia onde queria estar, talvez em tudo.

Me disse que era apenas por ser agora, antes de mudar.

Não de rumo, nem de sorriso. Apenas mudar.

 

Tentei pedir para ficar. Mas era apenas por mim,

pois na verdade era alí que gostaria de estar;

em seu qualquer lugar, depois do mar.

Antes do sol e depois da escuridão da lua.

 

 

O mundo era tão grande. Não demais, apenas grande.

Depois de chorar, disse que havia algo mais.

Algo que tinha certeza que havia, podia sentir... para sempre.

 

Tudo estava tão complicado. Não difícil, apenas complicado.

Depois de chorar, disse que sentia muito mais.

Que tudo era tão frustrante e esquisito... mas brilhante!

 

 

Me disse que nunca pensou em ir atrás do horizonte.

Me disse que tudo estava em seu devido lugar, quase tudo.

Me disse que foi porque era para sempre, antes de mudar.

Não sua idéia e seu sorriso. Apenas a ordem das coisas.



Escrito por Henrique Rogatto às 21h08
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Foi-se-ia

Quando tudo isso passou,

senti mais sua falta.

Tentei esquecer o que acontecerá,

pois sei que vai doeu.

 

Você se ia, e não voltará.

Não do jeito que eu quis,

que queria, que quero.

Não há pelo que lutar.

 

Mas antes que se vá,

mas antes que me esqueceu,

mas antes de estranhar,

amanheceria.

 

Poderia nunca só pode ser assim.



Escrito por Henrique Rogatto às 20h51
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Aquele cheiro de rua

Ele entrou. Abriu a porta e entrou.

Sem dizer nada, sem perceber coisa alguma.

Ela o ignorou.

Trocou algumas vezes de canal.

Deixou no mesmo.

 

Barulhos na cozinha.

Panelas e suas tampas.

Talheres.

A porta da geladeira se fechou.

 

Mal-estar, queimação na garganta,

talvez um pouco de enxaqueca e

aquele cheiro de rua.

 

O jantar simples, insosso e gorduroso.

O silêncio da início ao conflito.

Sem palavras, as mágoas

multiplicam-se com os dias

que apenas passam.



Escrito por Henrique Rogatto às 20h38
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