Tenho muitos amigos, colegas e conhecidos. Cada um de um jeito, um estilo, uma vida.
As garotas que gostam também. Umas mais arrumadas, outras nem tanto. Loiras, morenas, negras, brancas, orientais... de todo jeito, de toda maneira.
Eu gosto daquelas que brincam com fogo. Geralmente são belas e independentes. É impossível não se sentir inseguro...
Elas falam e fazem o que querem...
Brincar com fogo. Com o esqueiro aceso, intenso. Os dedos passam sobre as chamas, que passa entre cada um dos dedos, iluminados. As unhas mal cuidadas e a roupa já desgastada. O Converse já não tem mais cor, entre o que resta de pano e a sujeira, que encarde.
Toda vez me lembro do trecho de uma música "... ela gosta de transar no escuro, no escuro a coisa ferve mais, mas o dom é ver o que se faz. Passou, por mim, fez que não me viu, mas deixou em mim um pouco mais daquele andar eu sei... ". É mais ou menos por aí.
Entre a brincadeira com a chama de um esqueiro, um andar só pra sí. Independente como se não precisasse de mais ninguém, como se não fosse de ninguém, mas que chora como uma criança abandonada, de amor.
O amor de uma agora que brinca com a chama, é intenso.
É maior do que a vontade de querer segurá-lá.
É maior que o desejo de tê-la só pra si...
mesmo sabendo que a garota que brinca com fogo não é de ninguém.
É como um pássaro selvagem, que voa quando quer voar e que volta quando se sente só.
Não tem medo de suar, não tem medo de dizer e gostar...
Experimentar, tocar ou se ensinuar...
Não tem dedo de querer, de pensar ou de ter pra vida inteira.
Assim como o fogo que passa entre seus dedos,
não se pode pegar, não se pode prender...
A única coisa que se pode realmente fazer é ficar perto e se aquecer...
Alimentar a chama e proteger do vento.
É amor para a vida inteira, mas só enquanto há de durar...
É amor para se ter para sí e para ela.
É amor para tocar devagar e ter cuidado para não deixar marcas.
É amor imprevisível, que se renova e que esquenta o coração.
A garota que brinca com fogo é assim...