O dom. O potencial... o pensamento. O Homem dotado de prazer e de esperança, dono do tempo, dono da razão e do mundo, que é feito por Homens e homens. Sua grande virtude é ser Homem. Contemplar a humanidade é o mesmo que tentar ver o todo de uma só vez.
O que faz cada um de nós é o ato. Sim, a simplicidade de cada ação, uma após a outra, com ou sem motivos ou intenções. É assim a vida, é assim o mundo, é assim o Homem.
Para quem não via a hora de acabar esse monte de besteira filosófica e queria ver algo prático, chegou sua hora!
Não se trata apenas de mim ou de você. O que tratamos aqui é a definição de ser e existir. Você pode viver a sua vida inteira sentado em um imenso pudim, pode ser aquele mesmo de padaria ou aquele que a sua avó fazia em almoços aos domingos. Naquele pudim, como naqueles almoços, a sua vida era tão simples quanto devorar, colherada após colherada, aquele pudim... talvez inteiro! Este homem, passageiro da vida e coadjuvante de sua própria história, deixa sua vida passar de forma morosa e morna, tão cheia do vazio de “nada fiz, pois um dia o farei”.
Somos desafiados pela vida o tempo inteiro. Desde o momento em que deixamos o ventre de nossa mãe biológica, quando por instinto procuramos seu peito para nos alimentar e sobreviver, ou quando precisamos dizer uma porção de verdades àquele “mala-sem-alça” que vive te perturbando, mesmo que isso lhe custe uma troca de socos ou a certeza de uma demissão. O desafio é justamente quando saímos de cima daquele pudim da vovó e enfrentamos a vida em pé, com medo talvez, mas com coragem, onde cada desafio é uma oportunidade única de viver, estar vivo e melhorar.
Sim, melhorar! Lembre-se daquele seu primeiro amor, dolorido, sem fim e sem causa. De sua primeira decepção ou de seu primeiro NÃO, daqueles sonoros ou dos debochados. Todos o trazem até aqui, são parte integrante do que você se tornou...
Talvez, ser apenas mais um está de bom tamanho, e a vida sem sentido é sem sentido mesmo. Talvez, viver seja passar pela vida sem se ferir ou sem criar estragos. Mas o Homem que morre de frio porque tem medo de chuva é apenas mais um covarde, mais um farsante. A grande diferença entre não gostar e não querer e, entre não querer e não conseguir está no incomodo - leia-se medo - de viver.
A vida é a dor e a angústia constante no coração de cada um de nós, que bate por uma resposta, em tom de coro que suplica incessantemente por um motivo ou qualquer coisa que atenue esta dor - e que dor ein!? - de viver.
É verdade... voltamos com as besteiras filosóficas novamente... então lá vai a coisa mastigadinha!
Viver não é fazer uma porção de aniversários. Viver é sentir na pele a Vida, se expor e conquistar, mesmo que isso lhe cause feridas, mesmo que isso lhe machuque e que te deixe constrangido. Afinal, o que você vai contar para seus netos, que comia pudim na casa da vovó?