M12
Conheci ha um tempo o Marcinho, Morador da Zona Sul. Era muito conhecido no colégio, Mais um garoto esperto.
Andava de skate, tocava numa banda, Ouvia Rage, puxava ferro pra caramba. Começou a fumar um dia com a galera do role...
Sabe como é um jovem, achando que é Deus. O pobre é destemido, mas ele se fudeu. E eu... vou te contar como foi o seu adeus:
Era de dia, não tinha aula no colégio. Adrenalina para quebrar um pouco o tédio; Que invade a mente ociosa de quem paga para ver.
Alí na esquina é um ponto de ônibus, que irá nos levar até o além. Além da vida que podemos ter. Além de onde não podemos ver. É na esquina, pode ir que tem mais uma vítima...
_Vem cá refem!!! _Pode passar "Tio", tudo que tem na carteira. _Puta-que-pariu!!! Lá se vai o nosso esquema!!! _Não sei quem me atingiu, mas não valeu a pena... A arma não caiu não. Tinha nada na carteira.
A farda militar... é alvo pra bandido. O podre destemido viu sua vida passar... Nos seus olhos e sua mente, devagar agora como sempre... Mas nem tanto assim para o impedir de atirar...
Um tapinha de boa e 10 segundos para um trago, O efeito eh bandido, mas vale o barato. Letras de RAP fazem o rítimo e montam o cenário.. Na fissura do tapinha cai mais um otário.
Mesmo que aquele garoto, que tinha até futuro e fé. Mas que agora eh bandido, viciado em pó e erva...
O moleque que agora ja eh homem e se chama M12. Está preso na cidade onde nasceu, morreu... Mas deu um tiro no marido de Dona Rose!!!
Que ainda guarda a farda do marido e as lembrancas de um amor que terminou com o tiro do Marcinho... A sua arma ele descarregou.
Dona Rose ainda guarda a farda do marido e as lembrancas de um amor que terminou no tapinha do Marcinho... O menino... o bandido matador.
Escrito por Henrique Rogatto às 22h44
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O Homem
De um susto surgiu o Homem;
Amarrado na angústia da vida;
Na sombra do próprio ser, Homem.
Sem controle da vida;
Alienado de que há por vir;
Uma pequena brisa o faz deixar de existir;
Homem dedicado, [util e feliz;
Um conjunto de valores, muitos.
Quase todos falidos e falíveis.
Se pronunciar virou obstáculo;
Ser, querer ser alguém é motivo.
fracasso é uma constate.
Molduras, postais e retratos serão guardados;
Todos os motivos do mundo para deixar de existir;
Firme e forte o grito enclausorado de misericórdia.
O mesmo susto que o faz surgir;
O mesmo grito calado de angústia;
São os motivos que o fazem persistir.
Escrito por Henrique Rogatto às 16h39
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Qualquer coisa que me deixe assim... bem.
O mundo segue nessa velocidade assustadora e você nem percebe que a vida passa como as faixas da pista, uma após a outra... quase não se vê onde termina e onde começa a outra. São assim os momentos, é assim a vida.
É fácil perceber que todos buscam a felicidade extrema. Momentos incríveis, sublimes de felicidade e de contentamento. É como se fosse uma droga injetada diretamente no coração, tudo acontece sem explicação, sem que você se dê conta e quando percebeu já estava no fim.
O momento que se posta é de angústia e vazio. A depressão após o espasmo de felicidade é comum, assim como o cessar do efeito da substância...
A busca da felicidade, enfim, é utopia acreditar que é possível ser feliz plenamente.
Um dia, nada daquilo faz mais sentido. A ressaca que nunca acaba, as noites sem fim e o cheiro de cigarro permanente nas narinas... Nada disso mais faz sentido, nada disso mais te faz feliz, como era, como foi... como já aconteceu tantas vezes.
Alguns poucos se dão conta de que tudo é uma questão de tempo, até o corpo acostumar, até os efeitos parecerem naturais, até tudo ficar tão comum que não há nada de novo.
O que você procura meu irmão não é a felicidade extrema, êxtases de prazer e uma sensação sublime sem fim... Você procura o que todos sabem que precisam. Alegria.
Alegria de viver, de estar, de ser, de sentir e de querer bem. Ter amigos, ter prazer em viver. Dei-me conta disso em um dos poucos momentos da minha vida em que queria que nunca acabasse. A coisa mais simples, alguns poucos amigos, conversando e comendo... falando bobagens.
Nada de ser mais ou menos, nada de fazer à mais... tudo tão natural quanto respirar.
Pense bem como a vida anda para você, pense como os momentos passam e você nem viu. O Sol nasce e morre todos os dias e você nem se dá conta disso... Todos os dias há ar fresco da manhã... todos!
Quanto tempo faz que você não respira bem fundo, sentindo o ar entrar em seus pulmões, de olhos fechados... a vida correndo em seu corpo?
O prazer está na simplicidade.
Escrito por Henrique Rogatto às 20h08
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